Entrando em processo de hibernação...
Revendo verdades e prioridades...
Revendo sentimentos...
Revendo e aceitando que, nestes quase 15 anos, apenas e procurei em outros... Te exigi em outros... Que não puderam ser você...
Palavras desperdiçadas e tempo perdido...
Começo, meio e fim...
Ele era quase da tua altura, quase o mesmo timbre de voz, quase o mesmo jeito de andar, ao falar a boca se mexia praticamente quase igual a tua, o sorriso quase idêntico, aquele jeito irônico de falar, também quase igual ao teu, quase o mesmo jeito de se vestir, quase o mesmo cheiro, quase o mesmo gosto musical, quase a mesma literatura de cabeceira, quase o mesmo beijo, quase a mesma fisionomia, quase o mesmo amor... Quase a mesma idade que tinhas quando partiu...
Ah!!!!!!!! Se não fosse o "quase"...
Dei a ele uma impossível tarefa... A de ser você...
Claro que ele não conseguiu!!!!
E novamente, mais uma vez, você partiu!!!!
Entre sorrisos e lágrimas, estou apreendendo a seguir em frente...
'Escrever – e você sabe disso – pode eliminar essa sensação de gratuidade no existir, de coisas o tempo todo fugindo e se transformando em passado. Eu acho então que se escrever te dá um sentido para estar viva (ou a ilusão de um sentido, que importa?), então vai e escreve e diz tudo e rasga o coração, as vísceras, expõe tudo, grita, esperneia – no papel.'
(Caio Fernando Abreu)
(Caio Fernando Abreu)
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
terça-feira, 4 de outubro de 2011
Finalmente, uma despedida digna...
"...Podias ter-me dito que ias sair da minha vida.
A paixão é mesmo isto, nunca sabemos quando acaba ou se transforma em amor, e eu sabia que a tua paixão não iria resistir à erosão do tempo, ao frio dos dias, ao vazio da cama, ao silêncio da distância.
Há um tempo para acreditar, um tempo para viver e um tempo para desistir, e nós tivemos muita sorte porque vivemos todos esses tempos no modo certo.
Podias ter-me dito que querias conjugar o verbo desistir.
Demorei muito tempo a aceitar que, às vezes, desistir é o mesmo que vencer, sem travar batalhas.
Antigamente pensava que não, que quem desiste perde sempre, que a subtracção é a arma mais covarde dos amantes, e o silêncio a forma mais injusta de deixar fenecer os sonhos.
Mas a vida ensinou-me o contrário.
Hoje sei que desistir é apenas um caminho possível, às vezes o único que os homens conhecem.
Contigo aprendi que o amor é uma força misteriosa e divina.
Sei que também aprendeste muito comigo, mais do que imaginas e do que agora consegues alcançar.
Só o tempo te vai dar tudo o que de mim guardaste, esse tempo que é uma caixa que se abre ao contrário: de um lado estás tu, e do outro estou eu, a ver-te sem te poder tocar, a abraçar-te todas as noites antes de adormeceres e a cada manhã ao acordares.
Não sei quando te voltarei a ver ou a ter notícias tuas, mas sabes uma coisa?
Já não me importo, porque guardei-te no meu coração antes de partires.
Numa noite perfeita entre tantas outras, liguei o meu coração ao teu com um fio invisível e troquei uma parte da tua alma com a minha, enquanto dormias...”
Margarida Rebelo Pinto
A paixão é mesmo isto, nunca sabemos quando acaba ou se transforma em amor, e eu sabia que a tua paixão não iria resistir à erosão do tempo, ao frio dos dias, ao vazio da cama, ao silêncio da distância.
Há um tempo para acreditar, um tempo para viver e um tempo para desistir, e nós tivemos muita sorte porque vivemos todos esses tempos no modo certo.
Podias ter-me dito que querias conjugar o verbo desistir.
Demorei muito tempo a aceitar que, às vezes, desistir é o mesmo que vencer, sem travar batalhas.
Antigamente pensava que não, que quem desiste perde sempre, que a subtracção é a arma mais covarde dos amantes, e o silêncio a forma mais injusta de deixar fenecer os sonhos.
Mas a vida ensinou-me o contrário.
Hoje sei que desistir é apenas um caminho possível, às vezes o único que os homens conhecem.
Contigo aprendi que o amor é uma força misteriosa e divina.
Sei que também aprendeste muito comigo, mais do que imaginas e do que agora consegues alcançar.
Só o tempo te vai dar tudo o que de mim guardaste, esse tempo que é uma caixa que se abre ao contrário: de um lado estás tu, e do outro estou eu, a ver-te sem te poder tocar, a abraçar-te todas as noites antes de adormeceres e a cada manhã ao acordares.
Não sei quando te voltarei a ver ou a ter notícias tuas, mas sabes uma coisa?
Já não me importo, porque guardei-te no meu coração antes de partires.
Numa noite perfeita entre tantas outras, liguei o meu coração ao teu com um fio invisível e troquei uma parte da tua alma com a minha, enquanto dormias...”
Margarida Rebelo Pinto
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
Coisas que eu queria ter te dito...
(...)Às vezes mais vale desistir do que insistir, esquecer do que querer, arrumar do que cultivar, anular do que desejar. No ar ficará para sempre a dúvida se fizemos bem, mas pelo menos temos a paz de ter feito aquilo que devia ser feito, (...).Às vezes é preciso mudar o que parece não ter solução, deitar tudo abaixo para voltar a construir do zero, bater com a porta e apanhar o último comboio no derradeiro momento e sem olhar para trás, abrir a janela e jogar tudo borda fora, queimar cartas e fotografias, esquecer a voz e o cheiro, as mãos e a cor da pele, apagar a memória sem medo de a perder para sempre, esquecer tudo, cada momento, cada minuto, cada passo e cada palavra, cada promessa e cada desilusão, atirar com tudo para dentro de uma gaveta e deitar a chave fora, ou então pedir a alguém que guarde tudo num cofre e que a seguir esqueça o segredo.Às vezes é preciso saber renunciar, não aceitar, não cooperar, não ouvir nem contemporizar, não pedir nem dar, não aceitar sem participar, sair pela porta da frente sem a fechar, pedir silêncio e paz e sossego, sem dor, sem tristeza e sem medo de partir. E partir para outro mundo, para outro lugar, mesmo quando o que mais queremos é ficar, permanecer, construir, investir, amar. Porque quem parte é quem sabe para onde vai, quem escolhe o seu caminho e mesmo que não haja caminho porque o caminho se faz a andar, o sol, o vento, o céu e o cheiro do mar são os nossos guias, a única companhia, a certeza que fizemos bem e que não podia ser de outra maneira. Quem fica, fica a ver, a pensar, a meditar, a lembrar. Até se conformar e um dia então esquecer.
domingo, 2 de outubro de 2011
Somos o avesso um do outro. Quando duvidas, paras, e eu sigo em frente. Quando tens medo, eu tenho vontade; quando sonhas, eu pego nos teus sonhos e torno-os realidade, quando te entristeces, fechas-te numa concha e eu choro para o mundo; quando não sabes o que queres, esperas e eu escolho; quando alguém te empurra, tu foges e eu deixo-me ir.
Somos o avesso um do outro: iguais por fora, o contrário por dentro. Tu proteges-me, acalmas-me, ouves-me e ajudas-me a parar. Eu puxo por ti, sacudo-te e ajudo-te a avançar. Como duas metades teimosas, vivemos de costas voltadas um para o outro, eu sempre à espera que tu te vires e me abraces, e tu sempre à espera que a vida te traga um sinal, te aponte um caminho e escolha por ti o que não és capaz.
Margarida Rebelo Pinto
Somos o avesso um do outro: iguais por fora, o contrário por dentro. Tu proteges-me, acalmas-me, ouves-me e ajudas-me a parar. Eu puxo por ti, sacudo-te e ajudo-te a avançar. Como duas metades teimosas, vivemos de costas voltadas um para o outro, eu sempre à espera que tu te vires e me abraces, e tu sempre à espera que a vida te traga um sinal, te aponte um caminho e escolha por ti o que não és capaz.
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