Ando sentindo saudades... E das grandes... Mas tenho conseguido controlar meu ímpeto de fazer novo contato com você...
É... tem dias que acho que já passou... que está passando...
Mas, principalmente aos sábados e domingos a noite a coisa pega.... A saudade vem de uma forma estranha, com uma força que parece até que nem me lembro de nenhum do teus defeitos... Ou pior, parece que de repente descubro o quanto eu amava os teus defeitos, todos eles...
Ainda não deu pra esquecer de tudo... Ainda não deu pra não sentir falta... Ainda falta...
Já não choro mais (ou quase). Aliás, nunca fui de chorar... Mas sinto que muitas vezes choro por dentro, sinto as lágrimas escorrerem pelo meu peito internamente... Louco isso, não???
Saber que nunca mais existirá nada entre nós... Esse nunca mais é que me mata...
Hoje, lavando a louça, senti uma estranha coincidência...
Já sofri duas perdas... Já vivi dois "nunca mais"...
Um deles quando Augusto morreu... Foi um "nunca mais" sofrido, dilacerante... levei anos para superá-lo. (superá-lo?).
O outro foi você... E este "nunca mais" também é dilacerante pois sei que você não morreu, e está apenas a alguns kilometros da minha casa, ou a apenas um toque do meu celular... Só que nos braços de outra, na cama de outra...
Não saberia te dizer qual dos "nunca mais" é o mais dolorido...
Aquele que a morte se encarregou de criar, ou este que a vida, sacanamente, recriou pra mim...
Bom, vou indo... (A saudade as vezes é uma merda, viu!!!)
Entre sorrisos e lágrimas, estou apreendendo a seguir em frente...
'Escrever – e você sabe disso – pode eliminar essa sensação de gratuidade no existir, de coisas o tempo todo fugindo e se transformando em passado. Eu acho então que se escrever te dá um sentido para estar viva (ou a ilusão de um sentido, que importa?), então vai e escreve e diz tudo e rasga o coração, as vísceras, expõe tudo, grita, esperneia – no papel.'
(Caio Fernando Abreu)
(Caio Fernando Abreu)
