Entre sorrisos e lágrimas, estou apreendendo a seguir em frente...


'Escrever – e você sabe disso – pode eliminar essa sensação de gratuidade no existir, de coisas o tempo todo fugindo e se transformando em passado. Eu acho então que se escrever te dá um sentido para estar viva (ou a ilusão de um sentido, que importa?), então vai e escreve e diz tudo e rasga o coração, as vísceras, expõe tudo, grita, esperneia – no papel.'

(Caio Fernando Abreu)

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Da série: Eu poderia ter escrito estas palavras


Hoje eu não quero sorrir
Escondo a minha face sob a sombra dos azuis
Hoje eu não quero sentir
Crio perfumes com o veneno do teu descaso
Teço precipícios com as tuas ilusões...
Encubro de véus o meu corpo
minha alma, meus acasos...
Componho vazios, com as promessas não cumpridas
Despejo vulcões, sobre as ilusões perdidas...

Hoje eu não quero sentir
Não quero nem mesmo escorrer as decepções 
nem fluidos, nem perdões

Hoje eu não quero sorrir
Fecho os olhos para a luz que devassa as frestas...
Recolho minhas tempestades à incômoda crisálida...
Não quero existir... Hoje nem isso...
Risco as rimas dos meus orgasmos
Apago os meus poemas da tua memória
Rasuro o meu desejo... Calo a nossa história...

Hoje eu não quero existir...
Viro a cara pra todos os chamados
Anulo o tesão, amasso a vontade
Dispenso os recados
Desligo os encontros
Fecho a cortina
Hoje não...

Emboto o meu sexo
Descanso os meus dedos
Seco os meus lábios
Apago os medos

Hoje eu não atendo os pedidos
Não leio os poemas
Anestesio o tesão
Desligo os encontros
Hoje não...
Hoje não...

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