Hoje eu não quero sorrir
Escondo a minha face sob a sombra dos azuis
Hoje eu não quero sentir
Crio perfumes com o veneno do teu descaso
Teço precipícios com as tuas ilusões...
Encubro de véus o meu corpo
minha alma, meus acasos...
Componho vazios, com as promessas não cumpridas
Despejo vulcões, sobre as ilusões perdidas...
Hoje eu não quero sentir
Não quero nem mesmo escorrer as decepções
nem fluidos, nem perdões
Hoje eu não quero sorrir
Fecho os olhos para a luz que devassa as frestas...
Recolho minhas tempestades à incômoda crisálida...
Não quero existir... Hoje nem isso...
Risco as rimas dos meus orgasmos
Apago os meus poemas da tua memória
Rasuro o meu desejo... Calo a nossa história...
Hoje eu não quero existir...
Viro a cara pra todos os chamados
Anulo o tesão, amasso a vontade
Dispenso os recados
Desligo os encontros
Fecho a cortina
Hoje não...
Emboto o meu sexo
Descanso os meus dedos
Seco os meus lábios
Apago os medos
Hoje eu não atendo os pedidos
Não leio os poemas
Anestesio o tesão
Desligo os encontros
Hoje não...
Hoje não...
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