Entre sorrisos e lágrimas, estou apreendendo a seguir em frente...


'Escrever – e você sabe disso – pode eliminar essa sensação de gratuidade no existir, de coisas o tempo todo fugindo e se transformando em passado. Eu acho então que se escrever te dá um sentido para estar viva (ou a ilusão de um sentido, que importa?), então vai e escreve e diz tudo e rasga o coração, as vísceras, expõe tudo, grita, esperneia – no papel.'

(Caio Fernando Abreu)

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Poema da Despedida...



Vou me despedir... Me despir... Me revestir... de outra couraça...Sem raça... nem porquê...
Só queria paz... um amor traquilo... Filho feliz... Nada mais...
Dormir com dormem todos... sem sobressaltos... nem sem sustos nem pesadelos...
Simplesmente dormir... quando chegasse o sono... que não vêem nunca... sem remédios...
Queria apenas dormir com se tivesse todo o tempo do mundo para isso... sem pressa de acordar...
Sem necessidade de acordar... mas tendo vontade de acordar... o que hoje não há...

Queria poder subir no alto de uma árvore e contemplar o horizonte
Olhar o céu, as estrelas... fora da caverna, onde a infelicidade impera...
Um horizonte de esperança... em que a alma não cansa... mas descansa...

Queria poder ter um cachorro, que pudesse me sorrir com os olhos quando eu chegasse
E que não partisse, a não ser quando a morte o levasse...
Queria poder andar nua pela sala... Me ver dançando no espelho...
Sem ter que ouvir o som de outra fala... Nem ouvir gente metendo o bedelho...

Eu queria poder tomar banho de chuva no quintal de casa...
Não sentir a chuva dentro dela... Molhando o que me resta de dignidade...

Queria poder sentir o sol chegando pela manhã... devidamente autorizado a me despertar
E não apenas sentir o calor que ele produz, sem ter com que me ventilar...

Eu queria ter um amor... Que não me abandonasse, que não me trouxesse mais dor...
Um amor daqueles de contos de fada... Onde não existe gente safada...
Um amor com gosto de querubim... daqueles que nunca tem fim...

Não suporto mais viver enclausurada, ter meus livros entulhados
Minha alma dissecada, meus sonhos despedaçados...
Não quero ter que ouvir minha canção preferida tão baixinho
Quero poder cantar com os passarinhos
Não quero mais ter que fazer concessões absurdas
Por vezes preferia ser surda...

Queria poder voltar a sorrir, viver e agir
Sem ser mal interpretada...
Sem ser tolhida, sem ser esmagada... contestada...


Eu só queria poder escrever um único texto sem ser interrompida...
Tocar um violão e compor, quem sabe, uma canção...

Eu só queria realmente um pouco de paz...
Antes que eu me mude de vez, pra onde não voltarei jamais...


3 comentários:

Sonia Pallone disse...

Amei o que li...lindíssimo poema, daqueles que a gente se identifica muito... É seu linda? Bjs, adorei.

Annamaria disse...

Pois é Claudinha... Acontece que a felicidade é um estado de espírito. Ninguém é feliz o tempo inteiro. Tem que se buscar dentro de nós o que nos traz felicidade e viver o momento. como disse Lavoisier: Nada se cria, nada se perde, tudo se tranforma. E nós temos é que mudar a ótica de como enxergamos os problemas, para que não nos pesem tanto e possamos passar por eles e não deixar que eles passem sobre nós. Então, o que eu tenho a lhe dizer: SAIA DA CAVERNA E VÁ OLHAR O SOL!!!! ELE ESTÁ LÁ MESMO QUE ESCONDIDO PELAS NUVENS, ELE SEMPRE ESTÁ LÁ...

Anônimo disse...

Clau, SAI DA CAVERNA, como já disse uma sábia amiga sua...
Texto belíssimo, sem dúvida, mas carregado de uma tristeza que pude sentir daqui!
Faça o possível, amiga... Poupe-se, olhe-se e liberte-se a si mesma da tal caverna.
Te amo!

P.S.: VC NEM ME LIGOU NO MEU NIVER!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!