No meio de tantos problemas do dia a dia, ainda me surpreendo comigo mesma. Venho aqui apenas para falar de amor... Ou da falta dele... Talvez seja porque eu sinta que com ele, as coisas seriam mais fáceis, os problemas parecem menores... Mas... sem ele... sem amor... parece que tudo se agiganta... Os problemas parecem insolúveis e a sensação de desesperança é inevitável...
Hoje vou falar de perda... Entendo bem deste assunto. Sou pós graduada em perdas. Talvez tenha mestrado, doutorado... O fato é que as conheço bem...
Perdi um amor aos 24 anos... A morte o levou 1 mês antes do nosso casamento.
Perdi meu pai alguns anos depois, pelo Alzheimer... (Ele ainda está aqui... seu corpo apenas...ele há muitos anos já não compartilha mais minha vida, embora esteja agora deitado no quarto ao lado)
Perdi avôs, avós...
Perdi empregos...
Perdi amigos...
Perdi (larguei mesmo) um casamento...
Perdi minha dignidade...
Perdi minha casa, meu canto...
Perdi minha liberdade...
A cada momento, perco algo... (Ganho muito também, mas quero falar sobre as perdas)...
Há pouco tempo perdi outro amor... Daqueles que a gente acha que será para sempre... De novela, de filme, de eternidade... Perdi a confiança dele por mim, e a minha por ele... Perdemos o respeito um pelo outro a cada palavra maldita... Perdi as esperanças...
Mas o que mais tem me doído é que estou perdendo o sentimento... Em todas estas perdas, eu perdi muito, mas nunca havia perdido assim um sentimento...
Quando meu noivo morreu, o sentimento continuou vivo (e ainda continua) por anos... Nunca deixei de amá-lo...
Meus avôs e avós também...
Meu pai... Bom, esse eu amo por todas as vidas em que fomos companheiros e hoje não seria diferente... estando ele de pé ou simplesmente com seu corpo deitado em uma cama, ainda o amo com todas as minhas forças...
Todas estas perdas foram "sem querer". A vida ou a morte me tiraram coisas... Mas nenhum deles nunca abriu mão de mim por vontade própria. Eles me foram arrancados...
Mas este amor... Abriu mão de mim... Se arrancou de mim... Abriu mão de todo o sentimento, de todo o amor que ofereci a ele... A cada dia a distância aumente e, por mais que ele diga que me ama, sinto-me como se ele estivesse com a mão aberta e eu estou escorregando... escorregando... pra fora dele...
Sempre pensei que por amor se luta até morrer... Embora não pareça, sou romântica... E pra mim, amor que é amor não tem o que separe... Tipo Jade e Lucas, da novela "O Clone". Milhões de impecilhos o afastam, mas eles se amam, e, tal como nos contos de fadas e nas novelas, quem se ama enfrenta tudo e sempre fica junto no final...
Nos contos de fadas, nos filmes, tudo começa com o "Era uma Vez" , milhões de problemas se desenrolam até que aparece o "E viveram felizes para sempre"...
Vampiros terminam com mocinhas...
Ogros com princesas...
Borralheiras com principes...
Mesmo nos filmes (que são meus preferidos) em que um deles morre, o amor continua... O AMOR não morre...
Meu final tá chegando... estou escorregando por entre os dedos dele. E não sinto nenhum movimento em suas mãos na tentativa de me segurar... Então, a cada dia eu escorrego mais... e mais... até que um dia eu fique fora da vida, do alcance, do coração...
Minha vida nunca foi um conto de fadas... Meu final não poderia ser diferente, não é?
Sinto-me perdendo a inocência (até tardiamente, pois eu já devia ter me mancado há muito mais tempo), não existem finais felizes para quem se ama... Ou, de repente não se ama...
Sei que fiz o que sabia, o que sempre achei certo e justo em um relacionamento.
Lutei até o fim das minhas forças... Lutei contra tudo e contra todos... E, até bem pouco tempo, lutaria tudo de novo, se eu tivesse apenas a esperança de que teria um final feliz...
Mas... finais felizes não existem, existem??? Não... Não pra mim... Não para este amor...
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| (Você só encontra finais felizes em livros... Alguns livros...) |
==> Psiu!!! Ei !!! Você está me perdendo... Estou escorregando para longe a cada palavra não dita. Você realmente não vai fazer nada???
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| (Eu teria amado você .. pra sempre.) |




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