Em 2005 tentei refazer meu Blog, cujo título era: "Para Lembrar um Grande Amor"... Escrevi muito nele... Eram minhas lembranças mais queridas... O primeiro Blog era recheado de fotos, imagens e poesias, que me remetiam à época mais linda e mais dolorida da minha vida...
Aqui, o trecho que dava início ao Blog:
"As poesias deste Blog são mágoa e dor escritas.
Cada uma delas verte, por si só, um enorme rancor de estar viva.
A 27 de Outubro de 1996, morre Augusto Felipe.
Sua quase-esposa, EU-24, fica só, depois de um relacionamento de quase três anos:
"Todo casal apaixonado devia morrer junto. A nossa relação estava no auge - nos conhecíamos há apenas três anos. Não tivemos o tempo da monotonia, do desgaste. Tudo ainda era muito,muito mágico"
Foram alguns anos colocando em escritos toda a dor que sangrava em meu coração...
Bom, 14 anos se passaram desde o 27 de outubro de 1996... E o que eu digo hoje??? Digo que esta foto que coloquei no post abaixo ainda me remete à 1994, 1995... E sei que a dor ainda não passou... A saudade ainda não passou... As lembranças jamais sairam de mim...
São outros tempos, dirão alguns...
Já fazem 14 anos, dirão outros...
Você já não tem mais vinte e poucos anos...
Ele está morto... Dirão os mais "chocantes"...
Sim...
Ele está fisicamente morto... Fisicamente, apenas...
Dentro de mim ele continua vivo... Sorridente e confuso como sempre foi...
Sei que ele está bem melhor hoje, que olha por mim e que está ao meu lado sempre que necessário...
Sei... sei disso...
Mas não tenho ainda (mesmo passados 14 anos) como olhar para uma foto dele e simplesmente não sentir nada... Nenhuma emoção... Nenhuma taquicardia... Nenhuma saudade...
Ele foi o melhor e o pior que tive na vida... Os melhores momentos e as piores dores...
Foi o que de mais intenso se pode viver em uma vida encarnada... E olha que tínhamos apenas 23 anos...
Perdoe-me o tom mais sério, logo eu, que gosto tanto de brincar e de falar besteiras e palavrões...
Mas este amor não... Ele foi sério o bastante para me vincar rugas à testa, foi lindo o suficiente para não me permitir manchá-lo com nenhum dos palavrões, velhos conhecidos...
Entre sorrisos e lágrimas, estou apreendendo a seguir em frente...
'Escrever – e você sabe disso – pode eliminar essa sensação de gratuidade no existir, de coisas o tempo todo fugindo e se transformando em passado. Eu acho então que se escrever te dá um sentido para estar viva (ou a ilusão de um sentido, que importa?), então vai e escreve e diz tudo e rasga o coração, as vísceras, expõe tudo, grita, esperneia – no papel.'
(Caio Fernando Abreu)
(Caio Fernando Abreu)
quarta-feira, 23 de março de 2011
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8 comentários:
Eu sou um pouco mais estranha do que ser estranha permite.
Você nao é estranha, simplesmente é intensa, verdadeira...corajosa ao expor tudo o que sente...te admiro cada vez mais. Beijos.
Sabe Clau, o amor que mais dói é o amor interrompido. Tudo o que não acabou é extremamente mais dolorido e mais intensamente lembrado. Talvez porque o ponto final foi imposto pela vida e não coube escolha. Talvez porque possamos continuar a escrevê-lo em nossos corações e mentes da forma que quisermos, e o final será sempre o mais bonito, o mais mágico que pudermos - e quisermos -imaginar.
Obrigada, Rox... Tb te admiro muitão... BJks
Que lindo, Aninha... É verdade... Todo amor que não tem um fim pode realmente ser um amor sem fim...
Agradeço a vida (ou a morte?) por ter um amor tão grande, que sobreviveu à rotina, ao cotidiano, às crises de ciúmes, ao desgaste...
Agradeço por ter e sentir...
Porque dói... mas a dor é bem melhor do que o nada...
BJks
Sabe Claudia, amo todas as suas publicações e como eu disse, não são em todas que comento, uma porque não tenho tempo e outra pq não sei o que dizer...Mas esse post, especialmente, doeu em mim...tudo contribuiu para uma forte emoção. Suas palavras, minha
fragilidade...A identificação de alma que temos...Amores perdidos, amores 'morridos', saudade, saudade, saudade...Ao fundo, enquanto te escrevo ouço IF you want me (Marketa Irglova e Glen Hansard) e isso me pega no coração e nas mãos...Poderia escrever o dia todo. Acho que Outono é isso, pura nostalgia... E antes que eu te canse, tchau...
Vc nunca, nunca me cansa, amiga... Suas poesias tb sempre foram um bálsamopara este coraçãozinho machucado pelas perdas... Seus comentários sempre são importantes para mim...
Sei das suas dores, assim como conheces minha alma... Pois que são irmãs em significados e significantes... São irmãs nas dores e naspalavras... São irmãs nesta e em outras vidas...
Obrigadapelas palavras, por ter conseguido alcançar o sentido deste post-desespero... Ele é pra mim, pra vc, para os que ficaram e para os que partiram...
bjks de luz!!!
Irmã, viva e reviva intensamente enquanto for necessário. Essas lembranças são só suas do querido irmão que não cheguei a conhecer.
Esse post é você, na íntegra, na essência. Sinto que vc está se encontrando, irmã.
Te amo!
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