Entre sorrisos e lágrimas, estou apreendendo a seguir em frente...


'Escrever – e você sabe disso – pode eliminar essa sensação de gratuidade no existir, de coisas o tempo todo fugindo e se transformando em passado. Eu acho então que se escrever te dá um sentido para estar viva (ou a ilusão de um sentido, que importa?), então vai e escreve e diz tudo e rasga o coração, as vísceras, expõe tudo, grita, esperneia – no papel.'

(Caio Fernando Abreu)

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Escrevi para ele em 2006

Quando dói o coração, todo o corpo dói. Por que permitimos que as pessoas entrem assim tão dentro da gente a ponto de saírem carregando um pedaço de nós quando partem? Por que nos damos tanto, nos entregamos tanto? Talves devêssemos aprender a ficar na margem, olhando de longe a paisagem calma e nos satisfazer com essa visão, como quem se fascina com uma miragem.
Mas nunca me satisfiz só em olhar. Humana e taurina que sou, precisava absolutamente sentir, ao risco de me afogar... e mergulhei inteiramente. Aos 20 e poucos anos, o que poderia dar errado?????? Ele me trocar por outra??? Nunca saberei se isso iria acontecer... Foram 3 anos de namoro...e um quase casamento... E levaram ele de mim... de uma forma estúpida, irracional... Dói... dói... dói e dói!... Mas isso não me impediu de continuar, não me impediu de viver. (Foi quase, mas eu sobrevivi e cá estou, como diz a Lya Luft, na aparência inteira) Pedaços de nós são ainda partes de nós e ninguém disse que precisamos chegar à velhice inteiros e sem marcas. E ele é um pedeço de mim, é uma marca que carrego nos braços, na alma, nos olhos... Mas faz parte de mim... Não saberia mais viver sem esta marca. Isso é vida!!! Eu não desisti... Por mim, por ele, por nossa juventude estagnada, pelos filhos que não tivemos... E mantive-me de pé, doendo, mas de pé, cabeça erguida na direção do desconhecido e peito cheio de esperança que a próxima vez será diferente. A próxima vez que nos encontrarmos... Aqui, ou em qualquer outro mundo ou espaço-dimensão... Estou caminhando... a passos lentos, talvez, mas certa de chegar...  E, entre subidas e descidas a certeza de ter sobrevivido. E mais que isso, sobre tudo, vivido. 
Claudia. 12/06/2006 (Adaptado de Leticia Thompson) 

Um comentário: