Você diz que dói... E pede desculpas por sentir dor...
Até bem pouco tempo eu diria a você: "Porra, se dói volta. Se dói, assume. Se dói, esquece o passado e arranca esta dor do peito. Por que se estando junto dói, mas separado também. Então, o que é pior?"
Mas você fez a escolha, você fez a opção, você tomou a decisão.
Por mim também doeu, muito... Todos os anos de brigas, de omissões, de mentiras (minhas e suas), palavras que não deveriam ter sido ditas... Mas eu até preferia a dor estando "com" do que estando "sem"...
Hoje, confesso que entendo, aceito e concordo com a "não possibilidade" de nós dois... Afinal, realmente o que temos para dar um ao outro?
Você precisa de uma "menina"... Alguém nova o bastante para não te trazer problemas de gente grande... Alguém nova o bastante que se satisfaça com passeios a esmo, com lanchinhos rápidos e viagens de fim de semana... Alguém que não pense ainda no futuro, talvez por ter ainda um enorme futuro pela frente...
Uma menina...
Eu já não sou mais uma menina... Tento ser. Muitas vezes me passo por. Mas não sou mais uma menina... Nem na carteira de identidade, nem nos problemas do dia a dia, nem nas responsabilidades que carrego...
Você precisa de alguém que não se importe se haverá futuro ou não, pois o futuro ainda está muito longe para se preocuparem com ele... (Mas ele chega... saiba disso... ele chega atropelando os sonhos não realizados e as atitudes não tomadas ou tomadas de forma errada)
Eu... Eu preciso de um homem... Com vivências suficientes para compreender que a vida é muito mais do que "eu não gosto de fazer isso"...
Sabe, nem sempre fiz coisas que gostava na vida... Nem sempre trabalhei no que gostava (quase nunca aliás). A vida adulta não nos permite sempre essa escolha. Nunca "me" permitiu esta escolha. Embora sempre meio maluca, virei adulta ainda menina... Aos 16 anos comecei a trabalhar, aos 18 já lidava com a doença de papai... Aos 24 fiquei viúva. Aos 28 casei errado. Aos quase 40 ainda cato meus cavacos no chão, tentando juntar os cacos do que sobrou de mim, numa tentativa ainda altiva de me recompor...
Minha vida hoje não é o que sonhei pra mim... Uma série de escolhas erradas que fiz quando era "menina" e achava que tinha todo o tempo do mundo, me trouxeram uma realidade dificil de ser engolida e vivenciada...
Mas não se é mulher antes de ser menina... Não se é mãe antes de ser filha...
Trajetórias de vida diferentes, pensamentos diferentes, visões de mundo diferentes, expectativas de vida diferentes... Há tanta coisa a nos separar... Tempos diferentes, momentos diferentes... Tempo futuro diferentes...
Não há mais solução para nós... Não há futuro para nós...
Precisamos de coisas diferentes... Pessoas diferentes... Vidas diferentes...
Preciso de alguém que seja cúmplice e companheiro. Que acorde todas as manhãs comigo e que faça planos... (Apesar do pouco futuro, ainda tenho planos)... Que ame meu filho como um filho... Que tenha por ele carinho e responsabilidade... De pai...
Você precisa de alguém que não tenha filhos, nem familia, nem problemas, para que estes não atrapalhem os seus "nãos": não filho, não familia, não problema...
Minha vida é repleta de "sins"... E não tenho como me desfazer deles. Foram adquiridos ao longo destes 12 anos que nos separam...
E que, hoje, é uma distância insuperável...
Entre sorrisos e lágrimas, estou apreendendo a seguir em frente...
'Escrever – e você sabe disso – pode eliminar essa sensação de gratuidade no existir, de coisas o tempo todo fugindo e se transformando em passado. Eu acho então que se escrever te dá um sentido para estar viva (ou a ilusão de um sentido, que importa?), então vai e escreve e diz tudo e rasga o coração, as vísceras, expõe tudo, grita, esperneia – no papel.'
(Caio Fernando Abreu)
(Caio Fernando Abreu)
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
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2 comentários:
emocionante Claudia! Intenso sem deixar de ser delicado... Sensível, feito alma de poeta...Bjs amiga.
Minha flor, vc deixa cada comentário tão lindo no meu Blog que daqui a pouco eu vou começar a achar que escrevo bem de verdade... kkkkkkkkkk
Fico tão emocionada...
Quando eu finalmente deixar de escrever desabafando, talvez eu consiga escrever com mais poesia, com mais métrica, com mais estilo...
Por enquanto, têm sido apenas uma maneira de esvaziar a alma...
Bjks......Obrigada...
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