“Ele pode estar olhando as suas fotos. Neste exato momento.
Porque não? Passou-se muito tempo. Detalhes se perderam.
E daí ? Pode ser que ele faça todas as coisas que você faz. Escondida. Sem deixar rastro nem pistas.
Talvez ele passe a mão na barba mal feita e sinta saudade do quanto você gostava disso. Ou percorra trajetos que eram seus, na tentativa de não deixar que você se disperse das lembranças. As boas.
Por escolha ou fatalidade, pouco importa, ele pode pensar em você. Todos os dias.
E ainda assim preferir o silêncio. Ele pode reler seus bilhetes, procurar o seu cheiro em outros cheiros. Ele pode ouvir as suas músicas, procurar a sua voz em outras vozes.
Quem nos faz falta acerta o coração como um vento súbito que entra pela janela aberta. Não há escape.
Talvez ele perceba que você faz falta. E diferença. De alguma forma, numa noite fria. Você não sabe.
Ele pode ser o cara com quem passará aquele tão sonhado verão em Paris. Talvez ele volte. Ou não…”
Caio Fernando Abreu.
Entre sorrisos e lágrimas, estou apreendendo a seguir em frente...
'Escrever – e você sabe disso – pode eliminar essa sensação de gratuidade no existir, de coisas o tempo todo fugindo e se transformando em passado. Eu acho então que se escrever te dá um sentido para estar viva (ou a ilusão de um sentido, que importa?), então vai e escreve e diz tudo e rasga o coração, as vísceras, expõe tudo, grita, esperneia – no papel.'
(Caio Fernando Abreu)
(Caio Fernando Abreu)
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
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