Putz... quase 3 da manhã e um maço de cigarro depois, e só agora começo a compreender... Entender todo esse masoquismo que tenho vivido... E esse tanto de "mimimi" que tenho escrito aqui...
Entendi que existem duas dores de amor:
A primeira é quando a relação termina ( e a minha já havia terminado tantas vezes e há tanto tempo...)... A gente segue amando, tendo que se acostumar com a ausência do outro... com a sensação de perda, de rejeição... Uma falta de perspectiva... por estarmos ainda tão embrulhados na dor... Neste momento, não conseguimos ver uma luz no fim do túnel... E confesso que a mais dilacerante era a dor física... da falta dos beijos e dos abraços... A dor dos finais de semana não mais compartilhados... A dor de virar desimportante para quem se ama... ainda... É... definitivamente já sangrei por esta primeira..
E quando esta dor passa, começamos um outro ritual de despedida. (E esta é a segunda dor...). É a dor de abandonar o amor que sentimos (sentíamos). É isso o que estou vivendo agora... Putz... como levei tempo para entender...
É a dor de esvaziar o coração, de remover a saudade, de ficar livre... Sem mais sentimento especial por aquela pessoa... Isso dói também...
Na verdade, acho que me apeguei tanto ao amor quanto à pessoa que o gerou... Afinal, foram quase 4 anos de convivência...
Muita gente reclama por não conseguir se desprender de alguém... É que, sem se darem conta, não querem se desprender... Tenho plena consciência disso agora, pois estou (estava) vivendo isso...
Aquele amor, mesmo já não retribuído, tornou-se uma espécie de souvenir, lembrança de uma época bonita que foi vivida... passou a ser um bem de valor inestimável... Acabei me apegando à sensação de ainda amar, e esta passou a fazer parte de mim...
Logicamente, quero voltar a ser alegre, disponível... Mas para isso é preciso abrir mão de algo que me foi caro por muito tempo... Que, de certa maneira se entranhou em mim e que, com muito esforço, estou tentando alforriar...
É uma dor mais amena... quase imperceptível... Talvez por isso costuma durar mais do que a primeira dor propriamente dita...
É uma dor que me confundiu, por todo esse tempo... Oras parece ser aquela dor primeira, mas já não é a mesma...
Na verdade, a pessoa que "me deixou", já não me interessa mais... Já consigo contabilizar os prós e os contras e sei que não o quero mais em minha vida. Que ele já não cabe mais na minha nova vida... Ele já tem até outra pessoa, como eu também já tive outras pessoas...
Mas o amor que eu sentia por ele... aquilo que me justificava como ser humano "normal", que me colocava dentro das estatísticas do "Amo, logo existo"... Porque ficar vazio é muito esquisito depois de 4 anos de convivência... Mesmo que aos "trancos e barrancos". Tem toda a questão da convivência, do costume, do apego, do conhecido...
"Despedir-se de um amor é como despedir-se de si mesmo". É o arremate de uma história que terminou... Muitas vezes sem nossa concordância. Ou, como foi no meu caso, com a minha concordância e aprovação.
Mas essa história precisa também sair de dentro da gente, sabe... E é esse processo que estou vivendo... Uma espécie de luto de mim mesma...
Mas tenho certeza de que, após passada essa fase de despedida, não dele (o objeto do meu amor), mas da despedida do amor que eu sentia, em si, estarei pronta para amar de novo, quem sabe até bem mais e melhor... pois consciente de anos de erros e acertos...
É... até que não foi nada mal este mimimi todo...
Como digo sempre, um dos meus maiores defeitos é pensar...
Sou impulsiva sim, passional, quase sempre... Mas se tenho uma coisa boa é que aprendo demais com cada momento vivido. Seja ele feliz ou triste, seja ele de riso ou de dor...
Minha saida ontem, minhas conversas com amigos, meu dia hoje, minha "conversa" de hoje, me fez perceber, finalmente que o que eu preciso mesmo é ter a coragem para me despedir deste amor... Que já não existe mais a não ser nas minhas lembranças, nas fotos, e no meu infantil "achei que seria para sempre)...
Acho que agora sim, volto a respirar...
Cheguei lá no fundo, do fundo, do fundo...
Só me resta agora subir...
E descobrir que tenho asas... E que estas asas me levarão ainda por caminhos desconhecidos e maravilhosos de se viver. Basta que eu me permita...
Basta que eu queira...
E descobri que é o que eu quero... E muito...
Como eu disse: Somente o desistir não tem volta!!!!
Deixo aqui uma frase de Clarice, que reflete bem o que vivi nestes últimos tempos:
'Era cruel o que fazia consigo própria: aproveitar que estava em carne viva para se conhecer melhor, já que a ferida estava aberta'(Clarice Lispector)
Mas foi fundamental... Foi necessário... E foi absolutamente enriqueceDOR...
Beijuuuuuuuuuu
Um comentário:
Acho que valeu muito a pena esse check-out interior, por mais que tenha doído... Que Deus te ajude nessa 'subida ' Aqui em cima tem muita coisa saudável te esperando...Bjs, conte sempre comigo.
Postar um comentário